sábado, 26 de julho de 2008

PARÁ – INFLUÊNCIA INDÍGENA


PARÁ – INFLUÊNCIA INDÍGENA
O artesanato produzido no estado do Pará é considerado rico e diversificado, principalmente pelo fato de ter suas raízes e influências em culturas de grupos indígenas que habitavam a região antes mesmo de sua colonização. A cerâmica, por exemplo, é uma das produções mais presentes no estado. Existem duas vertentes de inspiração para os artesãos que a produzem. A marajoara e a tapajônica, todas as duas com nomes que remetem às tribos passadas que criaram as técnicas e estilos de desenvolver esse tipo de cerâmica. A cerâmica marajoara é facilmente encontrada em Belém ou no distrito de Icoaraci, a 16 quilômetros da capital. As peças produzidas seguem o estilo das civilizações que habitavam a ilha do Marajó no século passado, e se caracterizam por ter um alto desenvolvimento estilístico e técnico com exuberância e variedade decorativa. As cerâmicas são geralmente ornamentadas com utilização de figuras pintadas em preto e vermelho. As mais procuradas e compradas pelos visitantes são as urnas, vasos e estatuetas, também consideradas o ponto alto da arte ceramista marajoara. Muitos compradores buscam reproduções de peças famosas, encontradas somente no Museum of Natural History nos Estados Unidos e no Museu Emílio Goeldi do Pará.Já a cerâmica tapajônica, vem da cultura de índios que habitaram as margens e a foz do Rio Tapajós, na região que hoje é ocupada pelo município de Santarém, no oeste do Pará. Com características marcantes, a cerâmica produzida nesse estilo tem modelagem rebuscada lembrando até antigas peças de estilo barroco. A produção desse estilo inclui vasos, cachimbos e muiraquitã, pequeno amuleto verde, que a tradição diz dar sorte para os homens que o usam. A cerâmica tapajônica é baseada também em achados arqueológicos, e sua principal característica é a delicadeza das peças. Elas dão a impressão de que os índios as produziam com finalidade estética, e não utilitária.Além da cerâmica, os paraenses também utilizam as fibras de palmeiras como a jupati e tururi para criarem seus produtos. As fibras da jupati permitem uma utilização variada, as talas mais grossas se transformam em itens de cestaria e o âmago das talas, serve para produção de chapéus e coberturas. O Tururi, com fibras entrelaçadas e de cor castanha é usado para a criação de chapéus, bolsas, sacolas e até peças de vestuário.Quem gosta de enfeites e miniaturas, deve procurar os adornos feitos a partir do látex de uma árvore chamada Balata. A goma extraída dessa espécie permite que os artesãos criem enfeites de vários tamanhos e modelos, e os preços são um atrativo à parte.Outro forte do artesanato paraense é o uso de raízes, principalmente a raiz do patchuli, que tem um perfume forte e agradável. Com o patchuli, a criatividade dos artesãos é ilimitada, podendo ser encontrados leques, ventarolas, sachês e bonecas cheirosas que fazem sucesso com a criançada. Além do patchuli são utilizadas outras raízes e cascas de árvore como priprioca, macacaporanga, casca preciosa, macuracarã, cipó catinga, japana, mangerona, catinga de mulata, trevo, paraqueira e cumaru, que se transformam nos produtos com variações infindáveis. Para encontrar todas estas opções de artesanato reunidas em um único lugar, vá até Belém e dê um passeio pelas lojas da Avenida Presidente Vargas. As ofertas e opções são muito grandes, por isso, separe uma tarde inteira para fazer suas compras e levar um pouco da cultura paraense para sua casa.

CEARÁ – MULHERES RENDEIRAS


CEARÁ – MULHERES RENDEIRAS
O artesanato do Ceará é um dos mais diversificados do país, mas a primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em produção manual por lá, é a das mulheres rendeiras com seus artefatos. Todas as técnicas de produção em fibras de algodão são herança da colonização portuguesa, e foram fortemente introduzidas na cultura do cearense estando conservada até os dias atuais. Foi por volta de 1750 que a Europa começou a receber as primeiras rendas produzidas pelas mãos das rendeiras do Ceará. Naquela época, a fama da beleza e qualidade correu o todo o mundo, e hoje é exportada para muitos países. São mais de dois séculos de tradição dessas rendeiras que de forma natural produzem esses artigos de rara beleza.O equipamento utilizado para a criação das rendas é cheio de detalhes, um almofadão, no qual fica pregado um cartão furado do desenho da renda que se pretende fazer, um conjunto de alfinetes do espinho do mandacaru que serve para prender a renda, os bilros de madeira e mais três caroços de uma árvore chamada macaúba onde são enrolados os fios. Para quem vê, parece super complicado, mas elas garantem que a técnica é super simples e fácil de se fazer.Uma questão que às vezes confundem muitos turistas na hora da compra é a diferença entre a renda e o bordado. O bordado tem um fundo de tecido preparado para receber as linhas que são inseridas por meio de agulhas. Já a renda, é feita só com o entrelaçar das linhas, sem tecido algum. O tipo de renda mais valorizado e que tem o resultado visual mais bonito é o chamado labirinto, sua produção consiste em desfiar um pano e recompô-lo em outros desenhos. Essa técnica lembra mesmo um verdadeiro labirinto pelo emaranhado de pontos que o constituem. Os desenhos mais tradicionais e conhecidos são os de “paleitão”, “caseiro”, “enchimento”, “bainha” e o “desfio”, trabalhos muito delicados, que exigem uma enorme concentração e esforço visual artístico para que nenhum entrelaçar de linhas saia fora do lugar. Este tipo de renda artesanal, feita por mulheres de jangadeiros é principalmente encontrada nos municípios de Aracati, Beberibe e Cascavel. As redes de dormir feitas pelos cearenses também são muito apreciadas e hoje podem ser compradas em várias cidades do país. De origem genuinamente indígena, eram feitas de fibra de tucum, mas os colonos incorporaram o hábito de produzi-la em algodão. Apesar de atualmente existirem inúmeras fábricas espalhadas pelo Ceará, ainda há artesãos que a fazem manualmente, com os teares primitivos. Como o Ceará é um estado que tem o artesanato inserido em sua cultura, ainda é possível encontrar cestarias e trançados feitos com a palha da carnaúba, do bambu e do cipó, elementos facilmente encontrados nos municípios de Sobral, Russas, Limoeiro do Norte, Jaguaruana, Aracati, Massapé e Camocim. Toda a produção de chapéus, bolsas, cestas e leques vêm dessas pequenas cidades que muitas vezes tem no artesanato seu principal meio de subsistência.Para quem quiser encontrar todos esses souvenires em um único lugar, a dica é ir até Fortaleza e fazer uma visita à Central de Artesanato do Ceará, também chamada de CEARTE. Esse centro de vendas fica na Avenida Santos Dumont, 1589-A, no bairro de Aldeia.

OUTROS ARTESANATOS DO BRASIL



OUTROS ARTESANATOS DO BRASIL
O conceito de artesanato dado pelo Conselho Mundial do Artesanato diz que “artesanato é toda atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados, feitos manualmente ou com a utilização de meios tradicionais, com habilidade, destreza, qualidade e criatividade”. E como criatividade e habilidade é o que menos falta no nosso povo, conheça agora algumas outras opções de produtos que você pode comprar quando estiver viajando:PEÇAS DE ESTANHOEm São João Del Rei/MG é possível comprar jogos de chá e café, taças em tamanhos variados, pratos, vasos e castiçais feitos de estanho. O interessante é que a fábrica está aberta para a visita dos turistas que também podem acompanhar a produção antes de decidir o que vai querer levar para casa. PEDRAS BRASILEIRASEm Ouro Preto/MG existem muitas opções de lojas que vendem pedras decorativas feitas com minérios variados. Os enfeites variam de porta copos, cinzeiros e anéis até a esculturas de pássaros e animais silvestres. Além disso, ouro e jóias também podem ser comprados a preços mais em conta na cidade. CERÂMICAS ÚTEISEm Florianópolis/SC são produzidos utilitários como panelas, potes, moringas, jarras e alguidares em cerâmicas. A produção é totalmente manual e a qualidade e resistência das peças é impressionante.CARRANCASAs figuras medonhas esculpidas em madeiras com caras bravas e dentes à mostra, eram feitas inicialmente para espantar maus espíritos dos barcos. Hoje se tornaram peças de decoração e podem ser encontradas na cidade de Petrolina, em Pernambuco.ARTE SACRAVários artistas de Teresina produzem artesanalmente oratórios e personagens bíblicos em madeira. A inspiração é barroca e a perfeição e qualidade das peças é admirável.ARTE DAS MÃOSO artesanato sergipano atesta uma tradição que tem sobrevivido, com originalidade, ao ttempo. O barro, as rendas, em especial a irlandesa, os borados de redendê, as madeiras, os couros, os metais, ganharam forma para uso doméstico, utilitário ou para decoração. A habilidade do artesão se revela nas múltiplas peças. O couro é transformado em gibão, perneiras, peitoril, chapéu, sela, arreios, tacas, sapatos e alpercatas, que servem a vaqueiros e cangaceiros, habitantes e transeuntes do árido sertão. Pedras, contas, ferros e conchas marinhas servem à artesania do povo sergipano, seja no uso prático das casas, seja na decoração. Fique Ligado:* Se você for fazer uma viagem com a intenção de comprar muitos artigos, nunca se esqueça de não levar muitas malas, senão você poderá ter problemas de excesso de volumes no retorno pra casa.* Não deixe de visitar as fábricas ou os galpões onde são produzidos os artesanatos. Assim como comprar, assistir o ritual de produção também é um programa muito interessante.* Em algumas feiras de artesanato especializadas em produtos regionais, os vendedores gostam do ato de negociar. Então, tente sempre pedir um descontinho, o máximo que poderá acontecer é você conseguir e economizar.
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Nordeste: Artesanato da Bahia






Nordeste: Artesanato da Bahia
Com as bençãos do Senhor do Bonfim o cultuado sincretismo baiano oferece ao artista popular inúmeros temas para suas obras. Nas suas mãos, a massa de modelar ganha forma da tradicional baiana, essa mulher mágica, de vestido branco rendado, fartamente rodado, que encontramos pelas praças e esquina ofereceendo saborosos acarajés ou perfumando as escadarias da Igreja do bonfim.
Baiana em trajes típicos pronta para a lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, de Cibele Sordello.

Xangô, orixá modelado em argila. Depois de cozida, a peça ganha essa tonalidade de terracota e desenhos com pigmentos naturais de tauá e tabatinga. Criação da Comunidade da Barra.
Quando a matéria-prima é o barro, as criações dividem espaço entre o sagrado e o utilitário. Assim nascem orixás majestosos, reverenciados em todos os cantos do mundo, e também vasos, caçarolas, panelas e fogareiros.
Potes e moringas lisos, decorados e em alto relevo, feitos na localidade de Carro Quebrado, em Rio Real.
A musicalidade natural do baiano está expressa num ícone: o berimbau, instrumento de origem africana, incorporado ao rito da capoeira e homenageado nas miniaturas feitas de pequenas cabaças.

500 Anos de Ouro in Revista Mão de Ouro Especial, abril de 2000 - Editora Nova Cultural. Apaeb - Associação dos Pequenos Agricultores de Valente - Araci / Valente / Bahia. Associação dos Artesãos de Porto de Sauípe - Praça da Matriz, s/nº - CEP 48180-000 - Entre Rios / Porto de Sauípe / Bahia. Comunidade Ceramista da Barra - Loja da Barra: R. Padre Azevedo Fernandes, 2; Loja do Pelourinho: R. Gregório de Mattos, 27 - Salvador / Bahia. Instituto de Artesanato Visconde de Mauá - Praça Azevedo Fernandes,2 - Porto da Barra - CEP 40130-180 - Salvador / Bahia. * Foto e Coleção do autor: Angelo Zucconi.
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Nordeste: Artesanato de Sergipe


Nordeste: Artesanato de Sergipe
Terra do rendendê e de ricos bordados. O artesanato de Sergipe é tão diversificado quanto as culturas que se estabeleceram naquele Estado a partir do século XVI. Difundida por todos os cantos da capital e do interior, essa atividade está mais concentrada na região semi-árida.
Rendendê - A técnica é minuciuosa: o tecido é desfiado em determinados pontos, formando espaços vazios com formas geométricas, milimetricamente distribuídos. O acabamento ganha a beleza de outras técnicas, como o bilro, a renda irlandesa ou barras em crochê.
De lá sai a maior produção artesanal do Estado. Peças de qualidade onde se destacam as rendas, os bordados e a tecelagem. Corruptela da palavra holandesa hardanger, o rendendê é uma das práticas artesanais que melhor representa essa síntese cultural do povo sergipano.



500 Anos de Ouro in Revista Mão de Ouro Especial, abril de 2000 - Editora Nova Cultural ASPEC - Associação de Pesquisa e Estudos Científicos em Administração - R. Campo do Brito, 1287, Bairro São José - CEP 49020-380 - Aracaju / Sergipe. NUTRAC - Núcleo de Trabalho Comunitário de Sergipe - R. Senador Rollemberg, 655 - CEP 49015-120 - Aracaju / Sergipe. Associação de Desenvolvimento Comunitário Sementes do Amanhã - Estr. da Amargosa - (79) 5491213 - Poço Verde - Serrgipe.
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Nordeste: Artesanato de Alagoas




Nordeste: Artesanato de Alagoas
Distante 18 km do município de Pão de Açúcar, em Alagoas, nas águas do Velho Chico, encontramos a Ilha do Ferro. Nessa paisagem belíssima vivem não mais que 200 famílias acolhedoras. Acompanhando a mansidão das correntes e sob uma brisa constante, as mulheres dedicam-se a um trabalho que não encontra paralelo em outra parte do país: o bordado Boa-Noite.
A técnica consiste em amarrar grandes peças de algodão branco umedecido em bastidores de madeira, ao secar, o tecido estica e tensiona e permite que a agulha corra abrindo janelinhas, trançando relevos primorosos, sempre obedecendo uma perfeita geometria.
Art-Ilha, a cooperativa dos artesãos da Ilha do Ferro, é a responsável pela revitalização do bordado Boa-Noite.
O artesanato em madeira, feito pelos homens da localidade, representam preferencialmente os pássaros da região.



500 Anos de Ouro in Revista Mão de Ouro Especial, abril de 2000 - Editora Nova Cultural Cooperativa Art-Ilha - Ilha do Ferro / Alagoas
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Nordeste: Artesanato de Mestre Vitalino



Em Caruaru, cidade pernambucana, a poucos quilômetros do Recife, existe uma feira famosa, cuja separação dos animais é folclórica. Em um canto ficam "os bichos de dois pés" (galinhas, patos), em outro canto ficam "os bichos de quatro pés" (bodes, carneiros, bois). Há também montes e montes de cerâmica utilitária e bancas de cerâmica figureira.
Na feira de Caruaru, um dia, apareceu um menino - Vitalino Pereira dos Santos - cuja obra ingênua, no massapé pernambucano, tornou-se uma significativa mensagem de brasilidade, que tem alcançado os mais distantes cecntros culturais do mundo. As figuras de Vitalino são peças de museus e coleções particulares, de estudiosos do folclore, de todos que amam a arte popular.
Vitalino Pereira dos Santos, Mestre Vitalino, consagrou-se com sua arte de fazer bonecos em Caruaru, onde nasceu, perto do rio Ipojuca, em 1909. Seu pai, humilde lavrador, preparou o forno para queimar peças de cerãmica que sua mãe fazia, para melhorar o orçamento familiar. Sua mãe artesã, preparava o barro que ia buscar nas margens do rio Ipojuca. Depois, sem usar o torno, ia fazendo peças de cerâmica utilitária, que vendia na feira. Levava a cerâmica nos caçuás (cestos grandes) colocados nas cangalhas do jegue (burrico).
Ainda pequeno, Vitalino ia modelando boizinhos, jegues, bonecos, pratinhos com as sobras do barro que sua mãe lhe dava, para que não atrapalhasse e ao mesmo tempo se divertisse. Quando a mãe colocava as peças utilitárias para "queimar" no forno, ele colocava no meio as suas figurinhas, suas miniaturas. Os seus pais iam à feira semanal, o pai carregava os frutos do trabalho agrícola, a mãe carregava o jegue com os caçuás, para levar a terra trabalhada - a cerâmica utilitária. O menino Vitalino levava o produto de sua "reinação", da sua brincadeira e vendia.
Por volta de 1930, com 20 anos de idade, Vitalino fez os seus primeiros grupos humanos, com soldados e cangaceiros, representando o mundo em que vivia. Sua capacidade criadora se desenvolveu de tal maneira que acabou se tornando o maior ceramista popular do brasil. Fazia peças de "novidade" - retirantes, casa da farinha, terno de zabumba, batizado, casamento, vaquejada, pastoril, padre, Lampião, Maria Bonita, representando seu povo, o seu trabalho, as suas tristezas, as suas alegrias. Retratava em suas peças o seu mundo rural.
Esta foi a grande fase do Mestre Vitalino, que imprimia no massapé a sua vivência. Mais tarde começou a fazer obras sob encomendas: dentistas, médicos operando... Passou também a pintar as figuras para agradar aos compradores, da cidade, que tentavam "inspirar" o Mestre. Carimbava as suas peças mas, a partir de 1950, analfabeto que era, aprendeu a autenticar a sua obra, com o seu nome.
Mestre Vitalino Pereira dos Santos faleceu em 1963 deixando escola e continuadores. Seus filhos, Severino e Amaro, continuam a sua obra, recriando no barro os personagens do mundo nordestino.
Casamento no sertão